BALL x PIT- Análise / Review

Já que existem roguelites para todos os gostos e sabores, por que não um inspirado em Breakout?




BALL x PIT foi um lançamento day one no Game Pass e estreou no XBOX em 15 de outubro de 2025. Fora isso, não tem como começar de maneira diferente: este jogo pega carona na onda roguelites que cresce ano após ano.

São tantos jogos desse tipo que até parece o Exército Vermelho avançando em direção a Berlim durante o fim da Segunda Guerra Mundial. No dia que você acaba um título desses, mais quinze são lançados.

De qualquer maneira, BOLA x POÇO explora como seria colocar mecânicas modernas na jogabilidade de Breakout (1972), aquele jogo que você controla uma barrinha na parte de baixo da tela e fica rebatendo uma bola para destruir os tijolos da fase.

2 pontos importantes: primeiramente, o melhor que eu consegui foi um print jogando Super Breakout (1978) de Atari 2600 e, em segundo lugar, em que horas a gente ganha power ups neste clássico?


Terminada esta introdução, vamos falar de BALL x PIT. O jogo é dividido em três partes diferentes: gerenciamento de base, onde você constrói prédios que liberam novos personagens, dão bônus para os que você já pegou ou geram recursos; colheita, que é uma parte menor do jogo, onde os personagens são mandados em filheira para trombar com tudo que que foi construído na base. Cada vez que um herói bate em alguma coisa, é aí que os prédios são construídos, geram recursos ou dão bônus.

E, finalmente, the PIT, o POÇO, a parte principal do jogo, onde aparece um corredor de inimigos que tentam impedir você de chegar nas partes mais profundas, enquanto seu personagem elimina tudo que aparece com suas bolas, cada uma com sua habilidade especial.


Conforme você vai dando fim nos inimigos e pegando gemas de experiência, o personagem sobe de nível e é possível escolher uma melhoria de três opções aleatórias, que incluem melhorar alguma coisa que você já tem e conseguir uma bola ou uma habilidade passiva nova, que é representada por um equipamento.

As bolas básicas não são nada demais: a de fogo, queima, a de gelo, congela, a com dentes rouba vida e por aí vai. A parte legal são as evoluções: existem combinações de duas bolas que fazem uma evolução que ganha habilidades novas. Fora isso, você pode fundir bolas que não evoluem juntas e, aí, as habilidades delas são somadas. Só é possível fundir bolas uma única vez, depois elas não interagem mais com as outras.

Enfim, em cada uma das oito fases, você pode encontrar a planta de edifícios para construir na sua base, que vão liberar novos personagens, gerar recursos ou melhorias para quando você enfrentar o poço e, depois de vencer um chefe algumas vezes com personagens diferentes, a pŕoxima fase é liberada.



BALL x PIT tem 23 personagens diferentes, cada um com habilidades que transformam bastante o jogo: o primeiro, o Warrior, não possuí habilidade especial e funciona como tutorial para o jogo. Ele joga as bolas em fileira e elas rebatem nas paredes laterais, inimigos e fundo da tela. O segundo, Itchy Finger, representaria uma espingarda 12: não atira as bolas exatamente na mira, elas se espalham um pouco, mas são lançadas mais rápido. E as bolas do terceiro, Repentant, causam um pouco mais de dano toda vez quicam, mas voltam para o personagem em linha reta depois de acertar o fundo da tela.

Eu não quero falar a diferença de jogabilidade entre cada personagem, só gostaria que ficasse claro que eles funcionam de maneira diferente, fazendo você, jogador, ter que criar uma estratégia, um jeito diferente de se posicionar e escolher melhorias cada vez que que uma carinha nova estiver te representando na tela.

Isso é bem legal porque faz com que o jogo pareça menos repetitivo, mesmo tendo só 8 fases. Infelizmente, mesmo com este sentimento de estar fazendo alguma coisa nova e diferente cada vez que você troca de personagem, a sensação de mais do mesmo aparece de outro jeito: nos inimigos.

Apesar da aparência dos inimigos serem únicas e muitos deles terem habilidades diferentes, em relação a eles a gameplay não varia muito. Tanto faz se os adversários atiram flechas, veneno, gelo ou bolas de foto, você vai ter que esquivar desses projéteis ou acertar bolas para quebrá-los exatamente do mesmo jeito.

Também tem as armadilhas, que podem ser de gelo, areia movediça, lava ou outra coisa, mas a interação com elas é sempre a mesma: desviar.

Felizmente isso não acontece com os chefes: cada um deles é único, tem uma boa variedade de ataques e até mudam seus padrões conforme a vida chega um determinado patamar.


Voltando para a mesmisse, a dificuldade também é artificial: de uma fase para outra, a maior mudança nos inimigos é que eles têm mais vida e causam mais dano. A qualidade jogo não diminui por causa disso e eu não acho que na proposta de game design de BALL x PIT haveria outra maneira de fazer o jogo durar mais tempo na mão do jogador, mas isso precisa ser dito.

Enfim, para superar essa escalada, você precisa construir e melhorar edificações na sua base e passar de nível com seus personagens. Caso contrário, o dano causado pelas suas bolas não vai conseguir matar nada e você vai ficar preso em uma fase, sem conseguir passar.

O que eu quero dizer com isso é que vai ter um pouco de grind.

Ainda em relação à repetição, tem um ponto extremamente positivo: o jogo te oferece vantagens para sempre estar trocando de personagens e, assim, experimentando diferentes tipos de gameplay. Graças a isso, apesar da quantidade reduzida de conteúdos, é um pouco mais difícil de enjoar do que eu esperava.


Somando ainda mais para a qualidade de BALL x PIT, os desenvolvedores acertaram forte no meu ponto fraco: poderzinhos que evoluem. No caso, são bolas e equipamentos. Mas, continuando, eu tenho uma curiosidade absurda em querer saber o que dá pra fazer ali, então eu fiquei mais tempo do que eu gostaria de admitir só para ver o que fazem as diferentes combinações de bolas.

E, encerrando, entramos no loop de dopamina, onde você fica tentando montar uma build, juntar esferas evoluídas e habilidades passivas você acredita que vão combinar ou testar alguma coisa nova pra ver se funciona. Depois que o jogo te fisgou, você faz isso de novo e de novo e de novo, como ratinho num laboratório ou viciado num cassino.

Isso acontece em todo roguelite e tem sido meu ponto fraco, claro, quando é combinado com outros elementos interessantes ou inovadores de gameplay. Difetente da legião de clones de Vampire Survivors, BALL x PIT traz o que é necessário pra valer a pena jogar.

Agora chega! Vamos para a nota: quatro estrelas.


BALL x PIT é um jogo muito bom.

Tem aspectos negativos, mas que são facilmente esquecidos quando você foca no que o jogo faz para atiçar a curiosidade ou induzir você a jogar de forma diferentes, principalmente devido à combinação de bolas e mecânicas únicas de cada personagem. Recomendadíssimo! E aproveita que está disponível no Game Pass.




Jogado no XBOX Series S.

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